Santo Afonso Maria de Ligório

Santo Afonso de Ligório, Doutor da Igreja, Fundador, Bispo zeloso, grande moralista.

Carreira brilhante, o melhor partido do reino de Nápoles, Santo Afonso abandona tudo para se dedicar à salvação das almas, tornando-se um luzeiro da Igreja.

Os de Liguori existiam em Nápoles antes mesmo de ali haver reis. José de Liguori aliava a piedade à bravura, e Ana Cavaliere era, por assim dizer, a própria paciência e doçura. Da união do casal, no dia 27 de setembro de 1696, nascia Afonso-Maria Cosme Damião Miguel de Liguori. Com nove anos foi admitido na Congregação de Jovens Nobres do Oratório; aos 12, era um santo em miniatura, tal como foi formado por sua mãe: piedoso, recolhido, amigo das orações e inimigo obstinado do erro. Aos 13, tocava cravo com perfeição; aos 14, empreendeu viagem rumo ao doutorado, através da floresta inextricável das leis napolitanas, compostas de códigos herdados de dez povos diferentes. Prestou exame aos 16 anos (a idade mínima era 20), e foi aprovado por unanimidade. Aos 18, passa para a Congregação dos Doutores, e na década que se seguiu não perdeu nenhuma causa.

Não havia partido nem carreira mais brilhantes. O pai colocou duas princesas em seu caminho: uma, Deus encaminhou ao Carmelo, e a outra se afastou por não ser correspondida.

Resistências enormes, uso de influências, nada quebra o apelo que a voz interior lhe fez: "Deixe o mundo e entregue-se todo a Mim". Aos 27 anos, o primogênito dos Liguori troca o hábito secular pela libré de Nosso Senhor.

 

Uma elite de santos decididos

Como diácono-catequista e pregador, arrastava as pessoas e inflamava nas almas o amor de Deus e o ódio ao pecado. Como sacerdote, tinha o dom de fazer as almas compreenderem a excelência da virgindade e do estado religioso. Após uma pregação, 15 jovens se decidiram pelo claustro. Sua palavra tinha tal poder que abatia os pecadores mais obstinados.

A primeira tentativa para fundar a Congregação do Santíssimo Redentor claudica. Recomeça, com a convicção de que Deus o queria como fundador. Novas esperanças, novos tropeços. Afonso entendeu que não deveria ter uma congregação com muitos membros, mas com "uma elite de santos decididos, como os apóstolos, a dar suas vidas para pregar o reino de Deus e salvar as almas". De fato, em 1764, ainda durante a vida do fundador, a congregação já contava com sete membros mortos em odor de santidade!

Confessaria, mais tarde, que freqüentemente conversava com a Mãe de Deus, e que Ela lhe dava muitos conselhos concernentes a assuntos da congregação e lhe dizia muitas e belas coisas.

O reino de Nápoles inteiro viu as maravilhas dos novos missionários e também os desastres. Uma revolução de calúnias obriga-os a fugir, em 1737. Fato curioso, todos os cabeças dessa perseguição tiveram mortes que chamaram a atenção: pavorosos gritos, atrozes convulsões, e membro que seca ou que é devorado pelos vermes.

 

Sua paixão: salvar almas

Aos 54 anos, o povo de Nápoles tinha sob seus olhos um verdadeiro santo, poderoso em obras e em palavras, humilde e doce como o Mestre. Apesar de suas ocupações e preocupações, passava um tempo considerável aos pés do Santíssimo Sacramento, onde preparava os discursos e hauria forças para subir ao púlpito, mesmo quando seu corpo quebrado pela fadiga ou pelo sofrimento parecia se recusar.

Apóstolo de um reino e fundador, tinha uma paixão, que era de salvar as almas, e que não lhe permitia tomar um instante de repouso. Sob a ação do fogo que o devorava, aumentava sempre seu campo de trabalho e de combate. O amor de Deus, aliado ao voto heróico de nunca perder uma parcela de tempo, a não ser para o apostolado, centuplicava suas forças.

"Glórias de Maria", escrito em homenagem a Nossa Senhora, inaugurava sua luta antijansenista e antivoltairiana (Voltaire, o ímpio escritor francês - 1694-1778).

Fundador, Bispo, orador, moralista, apologista, místico era também poeta e artista, pois ainda hoje, através dos vales e montanhas italianos, seus cânticos populares ecoam e conservam o frescor da juventude.

Quando Afonso leu a carta do Papa nomeando-o Bispo, ficou mudo, aterrado como um homem atingido por um raio. Grossas lágrimas saíam de seus olhos. Sem perder tempo, arrolou todos os argumentos que imaginava serem suficientes para o Papa aceitar a renúncia: 66 anos, doente, surdo, coxo, quase cego, asmático. Além do mais o escândalo que daria aos seus irmãos, vendo-o levar a cruz e o báculo! De nada valeu. O Papa tinha suas razões.

Como Bispo de Santa Ágata, perseguiu implacavelmente o erro onde ele se encontrava, até nos últimos refúgios. Era doce e paciente quando se tratava de injúrias pessoais, mas sentia em si vivamente a afronta a Deus e o dano causado às almas, e agia em conseqüência. Em dois anos a diocese sofreu uma transformação completa. A piedade reentrava nos santuários, a palavra apostólica nas cátedras e a ciência nos confessionários.

 

Até os vulcões lhe obedecem

Em 1768 é atacado por uma febre misteriosa, e dores fortíssimas se propagam pelas articulações, obrigando-o a curvar a cabeça até encostar o queixo no peito. Como Deus lhe conservava a inteligência e a mão, escreve: "A verdade da fé", "História das heresias e sua refutação", "Triunfo da Igreja", "Considerações sobre a Paixão", "Vitória dos Mártires", etc.

Nesse corpo desfeito ardia sempre o coração do apóstolo. O fogo do zelo se tornava dia a dia mais ardente. Um pedido seu fez chover; um sinal da Cruz repôs as lavas do Vesúvio dentro da cratera.

Os últimos anos seriam de grandes dores e horripilantes tempestades. Se alguma vez Deus o conduzia ao Thabor, seria apenas para ajudá-lo a subir o Calvário. Em 1770, o Papa, baseado em falsos relatórios e fatos adulterados, assinou um decreto que significava sua exclusão da Congregação. Recebeu a notícia sereno, mas depois sofreu uma terrível tentação de desespero, pensando que foi por culpa de seus pecados.

Isolado do mundo pelo enfraquecimento do corpo e dos sentidos, extenuado pelos longos sofrimentos e macerações, coberto de enfermidades, surdo, quase cego, incapaz de se mover sem ajuda, não sobrava a este ancião, pregado a uma cadeira de rodas, senão a chama sempre ardente do divino amor.

 

Todos queriam uma relíquia

Na noite da alma não faltaram as tentações assustadoras contra a fé, a pureza, a humildade e a esperança. Dizia que se sentia como um homem moído sob os golpes da justiça de Deus.

Seus últimos dias foram cheios de êxtases, de dons sobrenaturais, de visão das coisas ocultas, de discernimento dos espíritos, de profecias e milagres. Quando se soube de sua doença mortal, as orações foram incessantes, e também a procura de qualquer coisa que lhe pertencia, para ser tida como relíquia.

No dia 1º de agosto de 1787, no momento em que os sinos tocavam o Angelus, entregava sua alma a Deus. Seu corpo, apesar do calor e da gangrena ocorrida na ferida que o queixo criara sobre o peito, e que precipitou sua morte, não exalava nenhum mau odor e se manteve flexível. A multidão se aproximava com terços, escapulários, medalhas e flores, para os transformar em relíquias.

Desaparecia nas vésperas da Revolução Francesa, que se abateu sobre os altares e os tronos e votou ao desprezo Jesus Cristo, sua Igreja, seus sacerdotes e seus religiosos. Mas os santos não morrem: seus ossos, suas vestimentas, suas menores relíquias operam efeitos que ultrapassam o poder dos reis. Mais de 50 pessoas foram curadas, instantaneamente, pelo simples contato com alguma relíquia sua, nos anos que se seguiram.

Na madrugada de 26 de maio de 1839, 101 tiros de canhão anunciavam sua solene canonização pelo Papa Gregório XVI. Pio IX o proclamaria como Doutor excelente, luz da Santa Igreja.

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Fonte de referência:

Pe. Berthé, CSSR -- Saint Alphonse de Liguori, tomos I e II -- Librairie de la Sainte-Famille, Paris, 1906.

 

Focalizaremos neste artigo apenas uma de suas iniciativas pouco conhecida, quando ainda bem moço, pela relevância que alcançou na sociedade napolitana do século XVIII.

Santo Afonso, cuja festa comemoramos no dia 1º deste mês, recuperou a parte mais abandonada e fora da lei da sociedade de Nápoles. Seu modo de agir fornece um modelo para nossos dias de verdadeira ação regeneradora desse segmento especialmente transviado da sociedade. Regeneração esta que, repercutindo depois, gradativamente, nos demais segmentos, poderá em boa medida restaurar o organismo social.

Procura-se empenhadamente um remédio para a sociedade atual que enfrenta toda sorte de crises, por se afastar cada vez mais de Deus e de sua moral. Mas qualquer solução que se busque será vã, caso não seja sanada a grave crise religiosa, responsável maior pela decadência da sociedade e, conseqüentemente, por toda série de crimes e desmandos. Bem o demonstra, como veremos, o exemplo da vida de Santo Afonso.

 

Eliminada a revolta, caminho do Céu

A fama que Afonso granjeara como jovem advogado cresceu quando ele, apenas ordenado sacerdote, começou a pregar. Sua presença era disputada nos mais influentes púlpitos de Nápoles. E, nesta ocasião, ele descobriu um mundo novo nos arrabaldes pobres da capital, onde viviam os "lazzaroni", mergulhados na miséria, na preguiça, no vício e, muitas vezes, no crime.
Aqueles pobres, pouco assistidos espiritual e materialmente, Afonso os tratou com desvelo especial, praticando em seu meio exímia caridade. Não para neles incitar o espírito de luta de classes, de reivindicações, de "direitos" e de revolta, mas para mostrar-lhes que o caminho do Céu também a eles estava aberto caso se convertessem.

Afonso, como também Januário Sanelli, um de seus primeiros auxiliares nesta tarefa, descobriu que, sob a aparência rude e até mesmo repugnante de muitos desses párias, havia "um natural terno e docílimo que — é bem verdade — posto em ocasião, caía em excessos de maldade". Mas que, do mesmo modo, "quando lhe é proposto adequadamente o bem, a ele se entrega"1. O quadro é o mesmo de hoje em dia, pois gente entregue às drogas, ao crime, ao vício, teria tomado um caminho inteiramente oposto se tivesse encontrado, no lar ou na igreja, os bons conselhos que podem marcar uma vida.

Mal ele aparecia no bairro, espontaneamente uma multidão formava-se ao redor de Afonso: barbeiros, pedreiros, carpinteiros, fabricantes de sabão, cardadores de lã, feirantes — todos deixavam sua ocupação para ouvir o missionário.

Do nó da forca a um laço de caridade

Com o tempo, Afonso foi escolhendo os melhores de seus ouvintes para transformá-los em apóstolos no seu meio. Por exemplo, Pedro Barbarese, que ouvindo um sermão do santo, caiu a seus pés e fez uma confissão geral. Tornou-se depois um de seus mais eficientes auxiliares.

Outro foi Lucas Nardone. Velho soldado revoltado e licencioso, por pouco
escapara à forca. A Providência levou-o aos pés de Afonso. "Esse homem destinado ao nó da forca tornar-se-á um laço de amor para arrebatar as almas do inferno e atraí-las a Jesus Cristo"2.

O vendedor de livros velhos Bartolomeu D'Auria e o ceramista José Chianese levaram tão a sério os ensinamentos do jovem sacerdote, que eram tidos como verdadeiros santos por seus conterrâneos. Havia também José, o Santo, como era chamado um velho negociante de farinha, venerado por todo o mercado. A dois outros — o vendedor de ovos Antônio Pennino, e o de alcaparras Leonardo Cristiano — serão atribuídos milagres em vida e após a morte.

"Quem não reza se condena"

Como obtinha Afonso tanto fruto nesse apostolado com gente tão rude e simples?

Sabia ele que todos somos chamados, em grau maior ou menor, a ser santos. Assim, qualquer alma redimida pelo batismo, tornando-se pela graça templo do Espírito Santo, possui em potência o indispensável para atingir a santidade. Por outro lado, Afonso tinha ciência de que só as orações vocais e atos externos de piedade dificilmente levam à santificação, se não são acompanhados por uma intensa vida de piedade interior. Se as orações vocais são boas, a oração mental é necessária para o progresso na virtude. Pois coloca a alma constantemente na presença de Deus e da insuficiência própria, ilumina-a a respeito das perfeições de Deus e das limitações e defeitos próprios.

Sua idéia central: "Quem reza se salva; quem não reza se condena. Todos os que se salvaram, salvaram-se pela oração; todos os que se condenaram, condenaram-se por falta de oração"3 .

No início, Afonso reunia seu povinho nas praças públicas. Algumas vezes o fazia em frente ao convento dos Mínimos. Naquele tempo em que muitos procuravam pescar em águas turvas, havia muita vigilância quanto à ortodoxia. Certo dia, Afonso fazia uma amigável censura a um operário que, movido por zelo imoderado, começou a viver só de ervas e raízes, não levando em consideração que tinha de conservar as forças para o trabalho e sustento da família. Um dos colaboradores de Afonso comentou, meio jocosamente: "Deus quer que a gente coma. E se lhe derem quatro costeletas, faça bom proveito!" Ora, um frade que, do convento, estava à espreita de alguma novidade, ouvindo essa frase inofensiva, logo se assustou. "Deve ser uma seita de sibaritas4, ou mesmo de molinistas"5 — pensou.

O Cardeal e o prefeito de polícia foram alertados, e planejaram para o dia seguinte uma batida no local. Afonso, tomando conhecimento do fato, prudentemente fez correr a palavra entre o povinho para não comparecer. Mas entre os não avisados estavam exatamente Nardone e Barbarese, que foram presos com mais alguns. Quando o prefeito soube que aquela obra era empreendida pelo Pe. Afonso, tudo se esclareceu. E mais edificado ficou quando, ouvindo a campainha tocar, acompanhando o Santíssimo que era levado a algum doente, os dois indiciados correram ao balcão, adoraram profundamente de joelhos a Hóstia consagrada e suplicaram licença para juntar-se ao cortejo.

 

Capelas da noite: eficaz método apostólico

O Cardeal louvou Afonso pelo trabalho que fazia, mas recomendou-lhe que evitasse os lugares públicos. Ofereceu-lhe, para isso, as capelas e oratórios da cidade. O que veio a dar à instituição o nome pelo qual ficou conhecida por mais de dois séculos: Cappelle serotine (Capelas da noite). Ofereceu também a ele assistência religiosa para seus dirigidos.

Por que Capelas da noite? Sendo todos seus membros trabalhadores, só tinham as noites livres para comparecer às pregações e atos de piedade. E só homens, porque as mulheres, com todos os afazeres dos lares numerosos daquela época, não tinham tempo livre senão para correr de vez em quando à igreja.

Aos domingos pela manhã, dirigidos por um sacerdote, todos, até os menos capazes e analfabetos, faziam meia hora de meditação sobre a Paixão. Em seguida assistiam à Santa Missa após cuidadosa preparação, seguida de comunhão e fervorosa ação de graças. Algumas vezes assistiam a outras Missas com o Santíssimo Sacramento exposto, segundo tradição da época. À tarde, reunião geral na igreja para visitas ao Santíssimo Sacramento e a Nossa Senhora. Depois, Vésperas, cantadas por todos. Visitavam ainda o Hospital dos Incuráveis para levar alívio moral aos doentes, e terminavam seus atos de piedade com a bênção do Santíssimo Sacramento. Havia também um período para espairecimento nos campos circunvizinhos, na primavera, ou no claustro de algum convento durante o inverno.

 

Um movimento de restauração social

As cappelle serotine progrediram "com tal pujança, e manifestaram seus associados tanto empenho proselitista, que 60 anos depois, quando Afonso passou à eternidade, funcionava uma rede de 75 centros nos diversos bairros da capital, sob a presidência de um chefe local [leigo] e de um sacerdote conselheiro"7.

Houve assim uma mudança radical entre os "lazzaroni": "Esses grupos tornaram-se um movimento de restauração social e de saneamento dos costumes; [...] a pilhagem foi substituída pelo trabalho; punhais e pistolas, depositadas nas mãos dos sacerdotes e substituídos por terços e opúsculos de meditação sobre as Máximas Eternas [compostos por Afonso especialmente para esse público] ou a Paixão de Jesus Cristo"8.

Essas cappelle serotine continuaram sua existência até o início do século XX, só se extinguindo com o excesso de industrialização e de obrigações da vida moderna, como também pela falta de sacerdotes com o espírito do grande Doutor da Igreja.

Notas

1.G. Sarnelli, Ragioni per che siano separate le meretrice, p. 29. apud Raimundo Telleria, C.SS.R., San Alfonso Maria de Ligorio – Fundador, Obispo Y Doctor, Editorial El Perpetuo Socorro, Madrid, 1950, tomo I, p. 121.
2.Théodule Rey-Mermet, C.SS.R. AFONSO DE LIGÓRIO – Uma opção pelos abandonados,Editora Santuário Aparecida _ São Paulo, 1984, p. 191.
3.Id., p. 184.
4."Diz-se de pessoa dada à indolência ou à vida de prazeres, por alusão aos antigos habitantes de Síbaris, famosos por sua riqueza e voluptuosidade" (Novo Aurélio, versão 3).
5.Temerariamente, pelo menos, "o Pe. Miguel de Molinos (1628-1696) afirmou em uma obra que certos atos externos imorais não manchavam a alma dos perfeitos; absortos em Deus, `eles estariam acima de tudo isso'". Rey-Mermet, op. cit., p.192.
6.Théodule Rey-Mermet, op. cit., p. 195.
7.Telleria, op. cit., p. 123.
8.Théodule Rey-Mermet, op. cit., p. 196.

 

AS SETE MEDITAÇÕES SUGERIDAS POR
SANTO AFONSO MARIA DE LIGÓRIO

 

Domingo

Do fim do homem

1. Considera, cristão, que a existência que tens, de Deus a recebeste, criando-te á Sua imagem e semelhança, sem mérito algum da tua parte.Adaptou-te por filho nas almas salutares do Batismo; amou-te mais do que se fosse teu pai, e criou-te com o fim de O amares e servires nesta vida para depois O gozares na glória.de maneira que não nasceste nem deves viver para gozar, para ser rico poderoso, para comer, beber e dormir, como os irracionais, mas somente para amar ao teu Deus e ser dito eternamente.As criaturas foram postas por Deus á tua disposição para que te auxiliem a conseguir tão glorioso fim.Oh! infeliz de mim! que em tudo tenho pensado, menos no fim para que Deus me criou!Meu Pai, pelo amor de Jesus permiti que eu comece vida nova, inteiramente santa e em tudo conforme á vossa divina vontade!

2.Considera que na hora da morte sentirás grande remorso, se não te houveres dedicado ao serviço de Deus.Que aflição a tua quando, ao termo de teus dias naquela hora suprema, chegares a conhecer que todas as grandezas e prazeres, todas as riquezas e glórias não eram mais um pouco de fumo! Ficarás estupefato ao ver que por umas bagatelas, por verdadeiras frivolidades perdeste a graça de Deus e a tua alma, sem poder remediar o mal que fizeste e sem ter tempo para trilhar o bom caminho.Ó desesperação! Ó tormento! Então compreenderás quanto vale o tempo, mas já será tarde; quererás comprá-lo a troco do teu sangue, mas já não te é possível.Ó dia calamitoso para quem não tenha servido e amado a Deus!

3.Considera quanto se descura este fim tão importante.Pensa-se em acumular riquezas, em assistir a banquetes e divertimentos, em passar alegremente os dias; e não se pensa em servir a Deus, nem em salvar a alma.O fim eterno é considerado como coisa insignificante.Por isso uma parte dos cristãos, divertindo-se banqueteando-se e cantando, caem no inferno.Oh! se soubessem o que quer dizer Inferno...Ó homem, fazes tanto para te condenares, e nada queres fazer para te salvares?!Infeliz de mim! (Exclamava ao morrer o Secretário do Rei da França, Francisco I) Infeliz de mim!Para escrever as cartas do meu príncipe, gastei tanto papel; e nem sequer aproveitei uma folha para escrever nela os pecados e fazer uma boa confissão!Oxalá (dizia no mesmo transe Felipe III, Rei da Espanha) que em vez de ser Rei eu tivesse servido a Deus na solidão do deserto! Mas para que servem naquela hora semelhantes suspiros e lamentações, se não para maior desesperação? Aprende na experiência alheia a viver solicito da tua salvação, se não queres experimentar a mesma sorte.Não te esqueças de que quanto fazes, dizes ou pensas, estranho ao que Deus quer de ti, tudo é perdido.Eia pois! Já é tempo de mudar de vida.Quererás por ventura esperar.Para te desenganares, o momento da morte, quando estejas ás portas da eternidade, prestes a cair no inferno, e quando não haja lugar para emenda?Meu Deus, perdoa-me!Amo-Vos sobre todas as coisas.Arrependo-me sumamente de Vos ter ofendido.Maria, esperança minha, roga a Jesus por mim.Amém.

Fruto I. Lembrar-me-ei freqüentemente de Deus e de seus imensos benefícios agradecendo-Lhe de todo o meu coração.

Fruto II. Regularei e empregarei bem o tempo, dirigindo todas as minhas ações em ordem á glória de Deus.

 

Segunda-Feira

Da importância do fim do homem

1.Considera, ó homem, quanto tens a lucrar na consecução do teu grande fim.Tens a lucrar tudo, porque, se o conseguires, salvar-te-ás, serás para sempre ditoso, gozarás em teu corpo e em tua alma toda a sorte de bens; mas se o malograres, perderás a alma e o corpo, perderás o Céu, perderás a Deus; serás eternamente desgraçado, porque condenar-te-ás para sempre.É por isso que a ocupação das ocupações, a única e importante, a única necessária, é servir a Deus e salvar a alma.Não digas pois, cristão: Agora quero satisfazes meus apetites: depois consagrar-me-ei a Deus, e espero salvar-me.Esta esperança vã tem precipitado no inferno muitos que diziam isto mesmo, e agora estão irremediavelmente condenados.

Qual dos réprobos quereria em vida condenar-se? Nenhum por certo; mas Deus amaldiçoa o que peca fiado em sua misericórdia.Maldito o homem que peca com esperança.Tu dizes: Quero cometer este pecado, e confessa-lo-ei depois.Mas tens a certeza de que não te faltará tempo para isso? Quem de assegura que não morreras repentinamente depois do pecado? É certo que pecando perdes a graça divina: E é igualmente certo que voltarás a recuperá-la? Deus usa de misericórdia com os que O temem, mas não com os que O desprezam.Também não digas: É me indiferente confessar dois pecados ou três.

Não, porque bem pode suceder que Deus esteja disposto a perdoar-te dois, e não a perdoar-te três.Deus sofre com paciência, mas não sofre sempre.Quando se enche a medida, não só não perdoa mas, castiga o pecador com a morte, ou abandona-o, de maneira que este multiplicando os seus pecados precipitar-se-á no inferno.Castigo muito pior que a própria morte.Meu irmão que isto lhes, procede com cuidado, deixa a vida desordenada que levas e consagra-te ao serviço de Deus; teme não seja este o último aviso que Deus te manda; já bastam as ofensas que Lhe tens feito, e que então grande número te tem sofrido; teme não obter perdão para mais algum outro pecado mortal que cometas.Adverte que se trata da tua alma e da tua eternidade.Oh! a quantos não tem feito abandonar o mundo, internando-os nos claustros, nas grutas e desertos, este grande pensamento da eternidade!Ah! Pobre de mim!que vantagens advieram de tantos pecados por mim cometidos?O coração angustiado, a alma presa de dor, e o ter perdido a Deus e merecido o inferno.Ó meu Deus e meu Pai, convertei-me e fazei-me cativo do Vosso Amor.

2.Considera que este negócio é por desgraça o mais descurado de todos os negócios.Em tudo se pensa, menos na salvação.Para tudo há tempo, menos para servir a Deus.Dizei a um homem mundano que freqüente os Sacramentos, que faça ao menos meia hora de oração mental cada dia; responderás: Tenho filhos, tenho família, tenho interesses, tenho outras ocupações.Mas, desgraçado, não tens também tua alma para salvar?Pensas que tuas riquezas, teus filhos, teus parentes te poderão prestar algum auxílio na hora da morte ou livrar-te do inferno, se tens a desgraça de te comandares?Não presumas de poder conciliar Deus com o mundo, O céu o com pecado.A Salvação não é um negócio que se deva tratar com indolência:É preciso que faças violência a ti mesmo, e trabalhes, se queres ganhar a coroa imortal.Quantos cristãos contavam com poder mais tarde servir a Deus e deste modo salvar-se; e não obstante estão agora no inferno!Loucura tão rematada, pensar sempre no que tão depressa acaba, e tão raras vezes no que não terá fim!Ah! Cristão! olha por ti; pensa que em breve as de abandonar este mundo e entrar na eternidade.Pobre de ti se te condenares, porque jamais poderás remediar a tua desgraça.

3.Medita, cristão, e dize contigo mesmo:Tenho uma alma só: se a perco, tenho perdido tudo.Tenho uma alma só: se consigo conquistar o mundo, condenando-a, de que me servirá tão grande conquista?Se chego a ser um homem distinto, mas perco a minha alma, de que me servirá a minha distinção?Se acumulo riquezas, se argumento, os meus haveres, se engrandeço minha família, e não obstante perco a minha alma, de que me servirá tudo isso?Que aproveitaram as riqueza, os prazeres, as vaidades a tantos os que viveram no mundo, quando seus corpos são agora cinza e pó na sepultura e suas almas estão condenadas no inferno?Se pois, minha alma só a mim pertence, se não tenho mais que uma, e se, perdendo-a uma vez, a perco para sempre, devo pensar seriamente em salvá-la.É este um ponto de suma importância, porque se trata de ser sempre feliz ou sempre desgraçado.

No meio da minha confusão, meu Deus, confesso-O: até aqui tenho vivido como cego; afastei-me muito de Vós; não tenho pensado em salvar esta minha única alma.Salvai-me, ó meu Pai, pelo amor de Jesus Cristo.Resigno me a perder tudo, contanto que não vos perca a Vós, ó meu Deus.Maria, esperança minha, salvai-me com a vossa intercessão.

Fruto I. Preparar-me-ei prontamente para a morte com uma confissão.

Fruto II. Aplicar-me-ei com o empenho e fervor aos exercícios de piedade.

 

Terça-Feira

Do pecado Mortal

1.Considera como, tendo sido criado por Deus para amá-Lo, com infernal ingratidão te rebelaste contra Ele, tratando-O como inimigo, desprezando sua graça e amizade.Tu sabias que com aquele pecado Lhe causavas amaríssimo desgosto, e não obstante cometeste-O.Como procede quem peca? Volta a Deus as costas; deixa de O respeitar, levanta a mão para O ferir, e tortura seu divino coração.O homem, quando peca, diz a Deus com as suas obras: Afasta-Te de mim, não Te quero obedecer, nem servir, nem reconhecer por meu Senhor, nem ter por meu Deus.O meu Deus é o prazer, o interesse, a vingança.Tal foi a linguagem do teu coração, quando preferiste a Deus a criatura.Santa Maria Madalena de Pazzi não podia acreditar que um cristão foste capaz de cometer um pecado mortal com plena advertência.E tu, querido leitor, que dizes!Quantos pecados não tens cometidos já!Perdoa-me, meu Deus, e tende piedade de mim.Eu Vos ofendi, ó Bondade infinita.Detesto os meus pecados, amo-Vos, e arrependo-me de ter caído na torpeza de Vos injuriar, ó meu Deus, digno de infinito amor.

2.Considera como Deus te falava, quando pecavas: Meu filho, eu Sou o teu Deus, que te criei do nada, e remi com o meu sangue: Eu proíbo-te sob pena de incorreres no meu desagrado, que cometas este pecado.Mas tu, pecando, dizias a Deus: Senhor, eu não quero obedecer-Te, quero satisfazer meus apetites, e é me indiferente desagradar-Te, perder a Tua graça.Eis aqui, ó meu Deus, o que eu tenho feito tantas vezes.Como tendes podido sofrer-me?Oxalá eu tivesse morrido antes de Vos ter ofendido.De agora em diante não quero desgostar-Vos mais.Quero amar-Vos, ó Bondade infinita! Dai-me a perseverança, dai-me o Vosso santo Amor.

3.Considera que, quando os pecados chegam a um certo e determinado número, Deus abandona o pecador.Por isso, se te vires tentando a pecar de novo, ó meu irmão, não digas: Confessar-me-ei depois; porque, se Deus te fizer morrer então repentinamente, se Deus te abandonar, é fora de dúvida que não te confessaras; e em tal caso, que será de ti por toda a eternidade!Eis o motivo porque tantos homens se tem condenado.Estes também esperavam o perdão; mas a morte surpreendeu-os, e perderam-se.Teme que te sobrevenha a mesma calamidade, porque não merece misericórdia quem se serve da bondade de Deus para O ofender.Depois de tantos pecados que Deus te tem perdoado, deves com razão temer que não te perdoe mais, se reincidires no caminho do mal.Dai-Lhe graças por haver te esperado até agora, e faze neste momento o propósito firme de sofrer antes a morte que cometer outro pecado mortal, dizendo sinceramente: já bastam, Senhor, as ofensas que Vós tem feito; a vida que me resta não a quero eu empregar em ofender-Vos, a Vós que O não mereceis.Quero empregá-la só em amar-Vos e em chorar as ofensas que vos tenho feito.Arrependo-me, meu Jesus, de todo o meu coração; quero amar-Vos; dai-me forças para Vos amar.Maria, minha Mãe, auxiliai-me.

Fruto I. Farei freqüentemente atos de arrependimentos, dizendo: Misericórdia, ó meu Jesus; arrependo-me de Vos ter ofendido, peço-Vos perdão para os meus pecado.

Fruto II. Examinarei se há em mim algum afeto desordenado que possa afastar-me de Deus, e desterra-lo-ei do coração.

 

Quarta-Feira

A Morte

1.Considera que esta vida há de acabar.Já está pronunciada a sentença; tens de morrer.A morte é certa; a hora, porém, é incerta.O que será necessário para morrer?Um ataque apopléctico, a ruptura de uma veia no peito, um catarro sufocante, um vomito de sangue, a mordedura de um animal venenoso, uma febre, uma pneumonia, uma chaga, uma inundação, um terremoto, um raio basta para te tirar a vida.A morte te assaltará, quando menos pensares.Quantos se deitaram à noite com saúde, e pela manhã foram encontrados mortos!E não poderá acontecer-te o mesmo a ti?Dos que tem morrido repentinamente, nenhum esperava morrer deste modo; e não obstante assim morreram.Se estavam em pecado, onde estão agora, e onde estarão por toda a eternidade?Seja, porém, como for, é indubitável que chegará uma ocasião em que anoitecerá para ti, e não amanhecerá, ou antes, amanhecerá, e não anoitecerá."Virei como ladrão" diz Jesus Cristo; o que quer dizer: quando menos pensares e ás escondidas.Avisa-te com tempo este teu amante Senhor, porque deseja a tua salvação.Corresponde, pois ao teu Deus; aproveita o aviso; prepara-te para bem morrer, antes de chegar a morte.Então não é tempo de preparação, porque já deve estar feita.É fora de dúvida que hás de morrer.Há de terminar para ti a cena este mundo, e não sabes quando.Quem sabe se será dentro de um ano ou dentro de um mês?Quem sabe se amanhã mesmo ainda estarás vivo?Meu Jesus, ilumine-me, e perdoe-me.

2.considera que na hora da morte assistido de um sacerdote, que fará a encomendarão da tua alma, rodeado de parentes que por ti chorarão, com o Crucifixo á cabeceira e a vela benta aos pés, já prestes a passar á eternidade.Terás a cabeça dolorida, os olhos amortecidos, a língua abrasada, a garganta cerrada, o peito opresso, o sangue gelado, as carnes gastas e o coração transpassado de dor.Ao morrer deixarás tudo; pobre e indigente serás lançado a um sepulcro, e ali apodrecerás.Os vermes e outros animais imundos roerão tuas carnes, e de ti ficarão apenas alguns ossos descarnados, um pouco de pó hediondo e nada mais.Abre uma sepultura, e vê a que ficou reduzido aquele homem opulento, aquele avaro, aquela mulher vaidosa.Assim termina a vida!Na hora da morte ver-te-ás rodeado de demônios que te apresentarão o sudário dos teus pecados, cometidos desde a tua infância.Agora o demônio, para induzir-te a pecar, encobre e desculpa as tuas faltas.Diz que é pequeno mal aquela amizade, aquela vaidade, aquele prazer, aquele rancor que alimentas em teu peito; que não há intenções criminosas naquelas conversações.Mas no momento da morte patenteará a enormidade dos teus pecados; e á luz daquela eternidade em que brevemente terás de entrar, conhecerás a gravidade da pena em que incorreste ofendendo a um Deus infinito.Apressa-te, enquanto é tempo, a remediar o mal que tens feito.

3.Considera que a morte é um momento de que depende a eternidade.Encontra-se o homem já próximo a expirar, e por conseguinte prestes a entrar em uma das duas eternidades.Sua sorte depende daquele último suspiro, imediatamente ao qual a alma é salva ou condenada para sempre.ó momento!Ó último suspiro!ó momento de que depende uma eternidade de glória ou de pena!Uma eternidade sempre feliz ou sempre desditosa!Uma eternidade de toda a espécie de bens ou de males!Uma eternidade, enfim, de Paraíso ou de Inferno! O que quer dizer: que, se naquele momento te salvares, em vez da desventura estarão sempre ao teu lado o contentamento e a felicidade; mas, se errares o golpe, e te condenares, serão teus companheiros inseparáveis e cruéis a aflição e o desespero.Na morte compreenderás o que quer dizer glória, Inferno, Pecado, Deus ofendido, lei de Deus desprezada, pecados calados na confissão, roubo não restituído. "miserável de mim!dirá o moribundo, daqui a poucos momentos hei de comparecer diante de Deus.E quem sabe a sentença que me tocará!Para onde irei?Para o Céu, ou para o inferno? A gozar com os Anjos, ou a arder com os condenados?Serei ou filho de Deus, ou escravo do demônio?Ai de mim!Sabê-lo-ei dentro em pouco, e aonde entrar pela primeira vez ali permanecerei eternamente.Ah!Daqui a poucas horas, daqui a poucos momentos que será de mim?Que será de mim, se não reparar aquele escândalo, se não restituir aquele furto, aquela fama, se não perdoar de coração ao meu inimigo, se não me confessar bem?".Então detestarás mil vezes o dia em que pecaste, o prazer que desfrutaste, a vingança que tomaste! mas demasiado tarde e sem fruto, porque o farás simplesmente por temor do castigo, e não por amor de Deus. - Ah, Senhor!Desde este momento me converto a Vós: não quero esperar pelo momento em que a morte chegue; desde já Vos amo, abraço, e quero morrer abraçado Convosco.Maria, minha Mãe, fazei que eu morra sob o manto da vossa proteção; auxiliai-me naquele derradeiro transe.

Fruto I.Encararei com desprezo a vaidade do mundo e de meu corpo, origem de tantos pecados que tenho cometido.

Fruto II.quando o demônio me tentar para ofender a Deus, direi prontamente: "Considera que hás de morrer".

 

Quinta-Feira

Sobre o Juízo

1.Considera que, logo que a alma tenha saído do corpo, será conduzida ao tribunal de Deus para ser julgada.O Juiz é um Deus Onipotente, ultrajado por ti, e sumamente irado.Os acusadores são os demônios, teus inimigos; o processo teus próprios pecados; a sentença é inapelável; a pena é o inferno.Ali não há companheiros, nem parentes, nem amigos; a causa será resolvida entre Deus e a tua alma.Então compreenderás a hediondez de teus pecados, e não poderás ser tão indulgente com eles, como agora o és.Responderá por teus pecados de pensamentos, palavras, obras, omissão, escândalo, respeitos humanos: tudo se há de pesar naquela grande balança da justiça divina, e se fores encontrado réu de culpa grave, uma só que seja, estarás perdido.Meu Jesus e meu Juiz, perdoai-me antes de me fazer comparecer em vosso tribunal!.

2.Considera que a justiça divina há de julgar a todos os homens no vale de Josaphat, quando no fim do mundo ressuscitar os corpos para receberem juntamente com as almas prêmio ou castigo, segundo os seus méritos.

Reflete que, se te condenares, tornarás a unir-te a este mesmo corpo, que servirá de prisão eterna á tua alma desgraçada.Naquele encontro desagradável a alma amaldiçoará o corpo, e o corpo por sua vez amaldiçoará a alma; de maneira que a alma e o corpo, que agora correm de mãos dadas em busca de prazeres lícitos, unir-se-ão, em que lhes pese, depois da morte, para ser verdugos um do outro.Ao contrário, se te salvares, esse teu corpo ressuscitará formosíssimo, impassível e resplandecente; e assim irás, em corpo e alma, gozar d vida bem-aventurada.Tal será o fim da cena deste mundo!Afundar-se-ão no nada todas as grandezas, prazeres e pompas mundanas.Tudo acabará: só ficarão as duas eternidades, uma de glória e outra de pena, uma ditosa e outra infeliz, uma de gozos, e outra de tormentos: no céu os justos, no inferno os pecadores.Desgraçado então o que tenha feito do mundo o seu ídolo, e pelos prazeres miseráveis desta terra tenha perdido tudo, alma, corpo, bem-aventurança e Deus!.

3.Considera a sentença eterna.O Juiz eterno, Jesus Cristo, voltar-se-á primeiro contra os réprobos, a quem dirás: "Ingratos, tudo se acabou para vós!Chegou a minha hora, hora de verdade e justiça, hora de indignação e vingança!Criminosos, amastes a maldição; caia sobre vós: sede malditos na eternidade: ide para o fogo eterno, privados de todos os bens e sob o peso de todos os males".Em seguida voltar-se-á para os escolhidos e dirá: "Vinde vós, meus filhos queridos, vinde possuir o reino dos céus, que vos está preparado.Vinde não já para levar a cruz em pós de Mim, mas para partilhar da minha coroa.Vinde como herdeiros de minhas riquezas e companheiros de minha glória.Vinde cantar eternamente minhas misericórdias.Vinde da terra do exílio á pátria, da miséria ao gozo, das lágrimas á alegria, do sofrimento ao descanso eterno".Meu Jesus, eu espero ser também um destes filhos afortunados.Amo-Vos sobre todas as coisas, abençoai-me desde este momento, e abençoai-me também vós, ó Maria minha querida Mãe!.

Fruto I.Farei todas as minhas ações como se devesse comparecer, na ocasião em que as executar, perante o tribunal divino a dar conta delas.

Fruto II.Exercitar-me-ei em obras de misericórdia espirituais e corporais, porque ao que as praticar prometeu Deus uma benção eterna no dia do juízo.

 

Sexta-Feira

Sobre o Inferno

 

1.Considera que o inferno é uma prisão hedionda, cheia de fogo.Neste fogo estão submersos os condenados.Neste abismo de fogo que os rodeia por todos os lados, têm chamas na boca, nos olhos, em todas as partes do corpo.Cada sentido tem seu sofrimento próprio: os olhos são atormentados pelo fumo e pelas trevas, e horrorizados pela vista dos outros condenados e dos demônios; os ouvidos ouvem dia e noite contínuos clamores, prantos e blasfêmias.O olfato é atormentado pelo cheiro nauseabundo daqueles inumeráveis corpos corrompidos, e o paladar por ardentíssima sede e fome insaciável sem poder obter uma gota de água nem uma migalha de pão.Por isso aqueles encarcerados infelizes, abrasados pela sede, devorados pelo fogo, torturados por toda a espécie de sofrimentos, choram, clamam, desesperam-se; mas não há nem haverá quem os alivie e console.Ó inferno, inferno!Quantos há que se recusam a crer em ti até o momento em que caem em teus abismos!E tu, querido leitor, que dizes?Se houvesses de morrer agora, para onde irias?Tu, que não podes suportar o ardor de uma centelha de fogo que te salta á mão, poderás estar em um abismo de fogo que te abrase, abandonado de todos por toda a eternidade e sem lenitivo algum?

2.Considera em seguida a pena que tocará ás potências da alma.A memória será sempre atormentada pelos remorsos da consciência.Tal é aquele verme que sem cessar roerá o condenado ao pensar que se perdeu voluntariamente e por um prazer envenenado.Ó Deus!Como avaliará então aqueles momentos de prazer, depois de cem, depois de mil milhões de anos no inferno?Este verme recordar-lhe-á o tempo que Deus lhe deu para expiar suas culpas, os meios que lhe proporcionou para salvar-se, os bons exemplos dos companheiros, os propósitos feitos mas ineficazes.Então verá que já não há remédio para a sua eterna ruína.Ó Deus!Ó Deus!E como estes pensamentos agravarão o seu penar!A vontade estará sempre contrariada: nunca alcançará coisa alguma do que deseja, e sempre terá o que aborrece, isto é, todos os tormentos.O entendimento conhecerá o bem enorme que perdeu: a bem-aventurança e Deus.Meu Deus!meu Deus! Perdoai-me pelo amor de Jesus Cristo, vosso Filho.

3.Pecador, a quem por agora é indiferente perder o céu e perder a Deus, quando vires os bem-aventurados triunfarem e gozarem no reino dos céus, então tu, qual animal hediondo, serás excluídos daquela pátria ditosa e privado da visão beatífica de Deus, da companhia de Maria Santíssima, dos Anjos e dos Santos; conhecerá, ai!Tua espantosa cegueira, e dirás desesperado:"Ó Paraíso de eternas delícias: Ó Deus! Ó bem infinito! Já não sois nem jamais sereis meus! Desgraçado de mim!..." Eia, meu irmão, faze penitência, muda de vida, não te guardes para quando o tempo te faltar.Entrega-te a Deus, principia a amá-lo deverás.

Roga a Jesus, roga a Maria Santíssima que tenham piedade de ti.

Fruto I.Descontarei com alguma mortificação as penas que no inferno tenho merecido.

Fruto II.Quando experimentar algum dissabor, incomodo ou dor, direi a mim mesmo: "Lembra-te que tens merecido cair, e devias ser precipitado no inferno", e tudo sofrerei com paciência.

 

Sábado

Da Eternidade da Penas

 

1.Considera que o inferno não tem fim: padecem-se nele todas as penas, e toda são eternas.De maneira que passarão cem anos daquelas penas, passarão mil, e o inferno estará como se então principiasse! Passarão cem mil anos, cem milhões, mil milhões de anos e de séculos, e o inferno continuará a ser o mesmo que no primeiro dia.Se um anjo levasse agora a um condenado a notícia de que Deus queria tirá-lo do inferno quando houvessem decorrido tantos milhões de séculos quantas são as folhas das árvores, as gotas de água do mar e os grãos de areia da terra; tu ao sabê-lo ficarias atônito e horrorizado diante desse prodigioso número de séculos passados nos tormentos.E não obstante é indubitável que aquele condenado acolheria tal notícia com mais satisfação do que tu, se te anunciassem que tinhas sido feito monarca de um grande reino.Sim; porque diria o condenado:"É verdade que hão de decorrer tantos séculos; chegará, porém, um dia em que hão de acabar".Mas ai! passarão todos esses séculos e o inferno estará em seu princípio; multiplicar-se-ão tantas vezes quantas são as gotas de água, os grãos de areia e as filhas das árvores, e o inferno não terá diminuído absolutamente nada.Qualquer condenado contentar-se-ia com que Deus lhe aumentasse suas penas e as prolongasse quanto Lhe aprouvesse, com tanto que afinal tivessem um termo: mas este termo não o terão jamais.Se pudesse ao menos o pobre condenado enganar-se a si mesmo, iludir-se e dizer: "Quem sabe?Talvez Deus um dia tenha piedade de mim, e me tire do inferno!" Mas não: o réprobo terá sempre diante de seus olhos gravada a sentença da sua condenação eterna e não poderá deixar de dizer: "Todas estas penas que sofro agora, este fogo, estas tribulações, estes clamores não acabarão jamais?Não.E quanto tempo durarão?Durarão sempre.Sempre!" Ó sempre! Ó jamais! Ó eternidade! Ó inferno! Como?Os homens crêem em ti e pecam?E continuam sempre vivendo no pecado?

2.Meu irmão, acautela-te; pensa que também para ti há inferno, se pecares.Já está acesa a teus pés aquela formidável fogueira, e agora mesmo, ai! quantas almas estão caindo nela!Reflete que, se tu também lá caíres, não poderás jamais sair.Se alguma vez mereceste o inferno, dá graças a Deus por não te haver precipitado nele, e prontamente remedeia o mal que fizeste, enquanto te é possível.Chora os teus pecados, põe em execução os meios apropriados á tua salvação, confessa-te freqüentemente, lê este ou outro livro espiritual todos os dias, como todos os dias em honra de Maria, por quem deves ter particular devoção, recitarás o Rosário, e jejuarás todos os sábados; resiste ás tentações invocando repetidas vezes os doces nomes de Jesus e Maria, foge das ocasiões de pecar, e se além disto Deus te dá vocação para abandonares o mundo, faze-o prontamente.Tudo quanto se faça para evitar uma eternidade de penas é pouco, é nada.Nunca serão exageradas as nossas precauções para nos assegurarmos uma eternidade feliz.Vê quantos anacoretas, para se livrarem do inferno, se têm internado nas grutas e nos desertos!E tu que fazes, depois de ter merecido tantas vezes o inferno?Que fazes?Não vês que a tua condenação está iminente?Volta-te para Deus e dize-lhe: "Eis-me aqui, Senhor: quero fazer tudo o que de mim quiserdes".Maria, auxiliai-me.

Fruto I.Lembrar-me-ei desta verdade freqüentemente: Tudo acaba e depressa, exceto a eternidade.

Fruto II.Se sentir alguma dificuldade em fazer o bem ou em resistir ao mal, direi a mim mesmo: tudo é pouco para adquirir a felicidade eterna.

OBS: "Retirado do livro Jardim de Devoção para os Bons Cristãos - por - Santo Afonso Maria de Ligório"

 

SANTO AFONSO APARECEU PELA PRIMEIRA VEZ EM JACAREÍ NO DOA 06 DE DEZEMBRO DE 2006. EIS SUA MENSAGEM.

 

“- Marcos, eu, Afonso Maria, venho te abençoar hoje, predileto da Mãe de Deus e do Altíssimo Senhor. Agradeço-te por divulgares nos Rosários Meditados as glórias de Maria Santíssima que eu escrevi. Oh sim, através destes Rosários Meditados aquelas glórias da Mãe de Deus que há 300 anos eu escrevi e deixei como testamento de amor a humanidade, finalmente estas glórias chegam ao conhecimento da multidão dos filhos da Mãe de Deus, e estas glórias finalmente realizam o seu trabalho e produzem o seu fruto, fruto de amor, de obediência, de reverencia, de suma estima e de total e plena Consagração das almas à Mãe de Deus. Eu te agradeço. Te agradeço por seres o meu eco. Continua a ser o meu eco no meio de um mundo que esmoreceu no seu amor para com a Mãe de Deus. Num mundo que perdeu o que tinha de mais belo e mais encantador que era a devoção filial, terna, submissa e cheia de temor para com a Mãe de Deus. Sê o meu eco! Continua sendo o meu eco para que esta humanidade possa ser curada das chagas que o maligno lhe abriu, para que a humanidade possa de novo reencontrar a devoção e o amor supremo a Maria Santíssima que perdeu por sua própria culpa e negligência. Cura as chagas da devoção a Mãe de Deus feitas pelo maligno e que muito a diminuíram e fizeram quase desaparecer. Em verdade te digo Marcos, todo aquele que te ouvir, ouvirá a Mãe de Deus e a Nosso Senhor, ouvirá os Sagrados Corações Unidos. Todo aquele que ouvir as glórias de Maria que tu gravas e divulgas, ouvirá a minha voz. Aquele que não te ouvir, desprezará a mim, desprezará os Sagrados Corações Unidos, desprezará o próprio Altíssimo. Sê fiel. Sê a continuação do meu ideal de tornar Maria amada, conhecida, venerada, admirada, exaltada, obedecida e amada por todos e por cada um dos seres humanos. Seja a minha continuação na terra e terás um grande tesouro no Céu. Tesouro que alias, já tens acumulado e que já se encontra em grande abundancia a tua espera. Eu abençôo a todos que estão aqui hoje, a todos os que amam as Glórias de Maria que eu cantei, que eu escrevi, que eu deixei como testemunho de meu amor a Ela. Abençôo com as mais copiosas bênçãos da Imaculada Conceição da Mãe de Deus todos os que rezam os Rosários Meditados, as Trezenas e as Orações que saem deste lugar. Eu protejo este lugar, de norte a sul e de leste a oeste eu o percorro todos os dias, o cubro de bênçãos, o guardo e o defendo, e defendo todos aqueles, que são parte deste Santuário, que são o Santuário vivo da Mãe de Deus, que obedecem e crêem nas suas Mensagens. A paz.”

 

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